quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A recaída do Dr. Filhinho




Repercutiu tanto o convite do Dr. Filhinho para ir a Pesqueira brincar o carnaval, que estão me pressionando por todos os lados para escrever sobre o fato. E eu, encafifada, não sei porque eu teria interesse nisto, além dos outros fatos que formam nossa relação: Minha e do Dr. Filhinho.

Começamos nos admirando ardorosamente. Levando em conta nossa diferença de idade eu poderia dizer até que nos amamamos ardorosamente, sem que alguém pudesse levantar qualquer réstia de pecado nesta frase, a não ser o Gustavinho, se estivesse sobre o efeito do álcool, ou andando no Trem Bala do Levy Fidelis.

Basta seguir o Blog da CIT e o Blog do Dr. Filhinho para vê o que acontecia entre nós. Era citação prá lá e citação prá cá, e todas elogiosas, ao ponto de ter um dos meus textos publicados em seu blog (a não ser que tenha sido retirado). Era uma espécie de amor filial que ele exercitava tanto em relação a mim quanto à Mamãe Juju, sua mãe biológica.

Eu até hoje não entendi bem (dizem que foi intriga do Poeta quando eram os maiores amigões, e mesmo que foi de um amigão dele lá do Rio) porque ele, um belo dia, resolveu me homicidiar decretando a minha inexistência. Eu ainda hoje só tenho uma explicação, que é aquela dada pelos profissionais de sua área: um surto psicótico.

Isto acontece com mais frequência do que se imagina. Agora não me perguntem as causas disto que não sei. O que sei, e reagi, foi à minha morte prematura.

Todos que me lêem sabem que sou incapaz de matar ou mesmo incomodar uma mosca, desde que ela não descida pousar em minha sopa ou perturbar o sono dos meus netos. Tudo que fiz até agora de pecados (já devidamente confessados e perdoados pelo meu confessor pela sua venialidade) foi em minha defesa. Nunca agredi nem nunca ofendi ninguém de forma gratuita, o que muitos (vide o Gustavinho) fazem comigo até com o interesse espúrio de aumentar a audiência dos seus respectivos veículos de comunicação.

Então, tive que discutir a relação com o Dr. Filhinho, e, evidentemente, ver com outros olhos as pretensões políticas de sua mãe, a quem tanto admirava. Se eu tivesse realizado o meu sonho inicial de levar à frente minha candidatura a vereadora em Bom Conselho, penso até que, antes, eu poderia ser útil a Mamãe Juju, mas, depois, eu seria mais nociva, pela minha oposição a ela, por não saber lidar nem com o filho, enquadrando-o todas as vezes que ele, mesmo com boas intenções, prejudicasse sua vida política.

Eu sempre disse isto em meu blog. Ou o Dr. Filhinho ficava sempre no milho, proibido terminantemente de falar sobre tal coisa, ou a Mamãe Juju estaria em maus lençóis. Não deu outra.

E agora não podem nem me culpar de nada, pois quando soube que o Dr. Filhinho preferia o carnaval de Pesqueira ao de Bom Conselho, o estrago já estava feito.

Eu só imagino a aflição de uma mãe, representada pela Mamãe Juju, em pleno carnaval (dizem que ela também estava em Pesqueira, mas, pode ser exagero da oposição) ao perceber que um filho, na certa fugindo do castigo, saindo da residência médica, fosse dizer nas redes sociais que “Carnaval bom é o de Pesqueira”.  Gente, eu fiquei chocada!

Eu já sabia que as ações do Dr. Filhinho eram desastrosas para sua mainha, mas, desta vez ele exagerou. Seria a mesma coisa que o Lula dizer, depois da homenagem que lhe fez a Gaviões da Fiel, que carnaval bom era o da Mocidade Alegre. Ambas as coisas são verdades, mas não devem serem ditas, principalmente, nas redes sociais.

Porém, como dizia um velho amigo do meu pai em Bom Conselho e que ele repetia muito lá em casa: “Não há mal que não traga um bem relativo”. O mal foi que, se já estava difícil a vida política da Mamãe Juju na cidade, agora piorou muito. Mas temos o bem relativo de que o Dr. Filhinho deve passar um bom tempo longe das declarações políticas, voltará aos seus estudos e, se a mainha proceder corretamente, voltará para o milho, de joelho, por um bom tempo.

E tem que ser um tempo suficiente para que ele no próximo São João, em pleno Forróbom, não declare no Facebook, que São João bom é em Caruaru. Eu, mas do que ninguém sabe que isto é verdade, mas, nem toda a verdade deve ser dita nas redes sociais. E nem mesmo em casa, para não causar constrangimento familiar.

Oh meu Deus, se o Dr. Filhinho lesse meu blog, ouvido meus conselhos, meditasse sobre eles, ele teria evitado mais esta, mas, pobre de mim, não sou lida por quase ninguém em Bom Conselho. Já em Garanhuns...

P.S.: Neste meio dinâmico dos blogs sempre as coisas vão na nossa frente. Quando coloquei o texto acima para publicação encontrei um comentário do Gustavinho, ao meu texto anterior, dando o endereço para uma nova postagem em seu blog. Tive tanta pena. Deram outra vez bebida ao menino ou ele teve um surto também, igual ao do Dr. Filhinho.

Coitado do PRTB, e de quebra do vereador Carlos Alberto, pois aguentar esta presidência mirim, com este vício, vai terminar prejudicando ambos. Eu avisei, mas parece que o Gustavinho também não me ler. Quem sabe o vereador consegue controlá-lo, para o bem dele próprio e do partido?!

As crianças aprontam de novo...


Xico Pitomba (?) e Gustavinho
(Foto do seu blog)


Meu Deus me perdoe se minto, mas, tenho certeza que o Gustavinho (sim, aquele mesmo que é presidente mirim do PRTB em Bom Conselho) tomou bebida alcoólica, neste carnaval. Peço as autoridades de minha terra para verificar quem praticou tal contravenção penal, ao vender bebida alcoólica para menores.

Gente, não bastava os de maior, como o Isaltino, andarem bebendo e dirigindo, agora estão vendendo bebida a menores. É realmente o fim do mundo. Eu só posso dizer que o presidente do PRTB só cometeu aquelas bobagens escritas, em plena segunda-feira de carnaval, se estivesse sobre o efeito da “mardita”, como dizia o outro.

Começa do título de sua postagem: “A Paz reina entre os Blogueiros Gustavinho e sua Amiga Lulu Peixoto”. Eu não sei onde o Gustavinho foi encontrar fatos para justificar que eu, algum dia, tenha entrado em guerra com ele. De criança, eu só brigo com meus netos. Embora seja só o título, pois como ele descreve a seguir ele revela a verdade, sobre o carinho que lhe dedico, quase como só uma mãe pode tê-lo.

Dei alguns conselhos e ele, e de início, ele apenas agradece, ao que eu digo “não há de que!”, pois foi sempre a intenção minha popularizar seu blog, que eu sei, antes dele tentar me denegrir só tinha dois leitores fixos, o Bizunga e o vereador Carlos Alberto para vê se ele estava publicando as postagens do seu blog. Todos sabem, se ele não publicar, o vereador tira ele da presidência mirim do PRTB.

Por falar no vereador Carlos Alberto, depois da divulgação dos seus gastos com diárias, ao invés dele explicar que cursos foi fazer para o bem de Bom Conselho, ele agora só divulga seus projetos legislativos, dos quais aprovou apenas uns poucos, que correspondem aos títulos de cidadãos bom-conselhenses para Deus e para o Mundo.

Eu fiquei tão espantada com a produção de projetos por partes do vereador, que já espero o projeto do trem bala para Bom Conselho, para ficar coerente com a principal meta do seu partido para o Brasil. Aquela sua ideia de duplicação da estrada entre Garanhuns e Bom Conselho, já deverá incluir o trem bala, que faria o percurso em 2 minutos.

Voltando ao Gustavinho e sua postagem de agradecimento, ele só deve tê-la escrito pensando que o trem bala que promete o vereador é um trem de balas, ou de confeitos que tanto agrada a criançada. Criança tem cada uma! Caro vereador, procure saber quem está dando bebida alcoólica ao Gustavinho, pois isto pode até prejudicar sua candidatura.

Vejam que ele inventou que bebeu comigo em Gravatá e que meu endereço foi fornecido pelo meliante Xico Pitomba. Eu já sabia! Foi este meliante que deve ter enganado o dono do bar, comprando bebida alcoólica e dizendo que era para ele. Será que este senhor está desviando o Gustavinho para o lado do mal?

É, meus senhores, quando um presidente de partido, menor de idade, começa a escrever coisas sem nexo e fazer brincadeiras de mau gosto em seus blog, é porque o nível político desceu muito em nossa terra. Atenção dirigentes do PRTB, assim não tem partido que vá prá frente.

E eu, com o meu coração de mãe, só posso apelar para sua mãe, a quem não conheço, ou para pessoas que sei que ele conhece bem e que parece ter alguma responsabilidade, como o vereador Carlos Alberto que é um dos 8 ou 9 componentes do PRTB em Bom Conselho. Tenham cuidado com este menino. Não o deixem com más companhias, como este tal de Xico Pitomba, de quem até o Poeta parece que se afastou. Procurem-no aconselhar diretamente sobre os malefícios do álcool, principalmente, nessa tenra idade. Para que ele respeite os mais velhos. Para que estude muito.

Eu estou tentando responder ao Gustavinho porque acredito nele. Tenho certeza que, quando ele crescer e ficar de maior idade, ele poderá ser um bom político. Mas, eu lhes digo com toda sinceridade, que isto só ocorrerá se ele estudar muito, aprender a escrever, se informar sobre suas companhias, pois um bom blogueiro não pode escrever coisas como:

“Mais [sic] deixando as delongas de lado, pude finalmente apreciar o fresco [sic] da sua terceira idade, degustando aquela cervejinha gelada, onde após nosso encontro, a mesma prometeu, que logo após o carnaval, procurará um médico especialista em tratamento da patologia, bipolar. (nossa isso é muito sério).”

Pensando bem, um blogueiro até pode escrever assim, mas alguém que é presidente mirim de um partido, tem que estudar muito para não andar gastando teclas para não dizer nada, como nesta frase que deve ter sido inventada pela sua fonte, Xico Pitomba. Ou seria efeito do álcool mesmo?

Eu nem me dou ao trabalho de citar outras coisas que o Gustavinho disse, pois vocês podem ir ver diretamente em seu blog para incentivá-lo com alguma audiência, que ele confessou que só teve depois de falar em meu nome, clicando aqui, deixando lá uns recados aconselhando-o a estudar muito e muito antes de querer ser presidente de verdade do PRTB. Aliás, eu penso que ninguém do partido lê o seu blog, pois nem o Levy Fidelis merece tal coisa, apesar do trem bala.

P.S.:  Já tendo terminado a postagem anterior, ido à missa, tomado minhas cinzas, indo aos blogs, vejo mais uma traquinada de outro menino que prezo muito, o Dr. Filhinho,  a quem também aconselho de vez em quando. Pois não é que ele foi dizer no Facebook que "Carnaval bom é o de Pesqueira"?

Eu já disse a mãe dele que não relaxasse o castigo. Ele fugiu do milho outra vez, e em pleno carnaval. Espero que não tenha sido vítima do álcool como o foi o Gustavinho.

Talvez minha sina mesmo seja cuidar de crianças. Êta turminha levada, meu Deus!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

'Angústias de um colarinho-branco'





Por Arnaldo Jabor (*)

“Doutora, eu procurei a psicanálise porque ando com um estranho sintoma: estou com o que vocês chamam de ‘sentimento de culpa’… Tive essa ideia quando vi aquele seriado na TV, Os Sopranos, com o chefão da Máfia de New Jersey chorando para uma psicanalista de lindas pernas. Como a senhora…

Tenho tido pesadelos: sonho que morri assassinado por mim mesmo, que estou preso com traficantes estupradores. Não mereço isso, eu, que sempre assumi minha condição de corrupto ativo e passivo… (sem veadagem… claro).

Não sou um ladrão de galinhas, mas já roubei galinhas do vizinho e até hoje sinto o cheiro das penosas que eu agarrava. Há há há… Mas hoje em dia, doutora, não roubo mais por necessidade; é prazer mesmo. Estou muito bem de vida, tenho sete fazendas reais e sete imaginárias, mando em cidades do Nordeste, tenho tudo, mas confesso que sou viciado na adrenalina que me arde no sangue na hora em que a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares, vibro quando vejo os olhos covardes do empresário me pagando a propina, suas mãos trêmulas me passando o tutu, delicio-me quando o juiz me dá ganho de causa, ostentando honestidade e finge não perceber minha piscadela marota na hora da liminar comprada (está entre 30 a 50 mil dólares, hoje), babo ao ver juízes sabujos diante de meu poder de parlamentar e fazendeiro rico.

Como, doutora? Se me sinto superior assim? Bem, é verdade… Adoro a sensação de me sentir acima dos otários que me ‘compram’, eles se humilhando em vez de mim. Roubar me liberta. Eu explico: roubar me tira do mundo dos ‘obedientes’ e me provoca quase um orgasmo quando embolso uma bolada. Desculpe… a senhora é mulher fina, coisa e tal, mas, adoro sentir o espanto de uma prostituta, quando eu lhe arrojo mil dólares sobre o corpo e vejo sua gratidão acesa, fazendo-a caprichar em carícias mais perversas.

É uma delícia, doutora, rolar, nu, em cima de notas de cem dólares na cama, de madrugada, sozinho, comendo chocolatinhos do frigobar de um hotel vagabundo, em uma cidade onde descolei a propina de um canal de esgoto superfaturado. Gosto da doce volúpia de ostentar seriedade em salões de caretas que te xingam pelas costas, mas que te invejam pela liberdade cínica que te habita. Suas mulheres me olham excitadas, pensando nos brilhantes que poderiam ganhar de mim, viril e sorridente ─ todo bom ladrão é simpático. A senhora não tem ideia, aí, sentada nessa poltrona do Freud, do orgulho que sinto, até quando roubo verbas de remédios para criancinhas, ao conseguir dominar a vergonha e transformá-la na bela frieza que constrói o grande homem. E, agora, este sentimentozinho de ‘culpa’ tão chato…

Sei muito bem os gestos rituais da malandragem brasileira: sei fazer imposturas, perfídias, tretas, sei usar falsas virtudes, ostentar dignidade em CPIs, dou beijos de Judas, levo desaforo para casa sim, sei dar abraços de tamanduá e chorar lágrimas de crocodilo… Sou ótimo ator e especialista em amnésias políticas. Eu já declarei de testa alta na Câmara: ‘Não sei nem imagino como esses milhões de dólares apareceram em minha conta na Suíça, apesar destes extratos todos, pois não tenho nem nunca tive conta no exterior!’ Esse grau de mentira é tão íntegro que deixa de ser mentira e vira uma arte.

Doutora, no Brasil há dois tipos de ladrões de colarinho-branco: há o ladrão ‘extensivo’ e o ‘intensivo’.

Não tolero os ladrões intensivos, os intempestivos sem classe… Faltam-lhes elegância e finesse. Roubam por rancor, roubam o que lhes aparece na frente, se acham no direito de se vingar de passadas humilhações, dores de corno, porradas na cara não revidadas, suspiros de mãe lavadeira.

Eu, não. Eu sou cordial, um cavalheiro; tenho paciência e sabedoria, comecei pouco a pouco, como as galinhas que roubei na infância, que de grão em grão enchiam o papo… Eu sou aquele que vai roubando ao longo da vida política e, ao fim de décadas, já tem Renoirs na parede, iates, helicópteros, esposas infelizes (não sei por que, se dou tudo a ela), filhos estroinas e malucos… (mandei estudar na Suíça e não adiantou).

Eu adquiri uma respeitabilidade altaneira que confunde meus inimigos, que ficam na dúvida se me detestam ou admiram. No fundo, eu me acho mesmo especial; não sou comum.

Perto de mim, homens como PC foram meros cleptomaníacos… Sou profissional e didático… Considero-me um Gilberto Freyre da corrupção nacional…

Olhe para mim, doutora. Eu estou no lugar da verdade. Este País foi feito assim, na vala entre o público e o privado. Há uma grandeza insuspeitada na apropriação indébita, florescem ricos cogumelos na lama das maracutaias. A bosta não produz flores magníficas? O que vocês chamam de ‘roubalheira’, eu chamo de ‘progresso’. Não o frio progresso anglo-saxônico, mas o doce e lento progresso português que formou nossa tolerância, nossa ambivalência entre o público e o privado.

Eu sempre fui muito feliz… Sempre adorei os jantares nordestinos, cheios de moquecas e sarapatéis, sempre amei as cotoveladas cúmplices quando se liberam verbas, os cálidos abraços de famílias de máfias rurais… A senhora me pergunta por que eu lhe procurei?

Tudo bem; vou contar.

Outro dia, fui assistir a uma execução. Mataram um neguinho no terreno baldio. Ele implorava quando lhe passaram o fio de náilon no pescoço e apertaram até ele cair, bem embaixo de uma placa de financiamento público. Na hora, até me excitei; mas quando cheguei em casa, com meus filhos vendo High School Musical na TV, fui tomado por este mal-estar que vocês chamam de ‘sentimento de culpa’…

Por isso, doutora, preciso que a senhora me cure logo… Tem muita verba pública aí, muita emenda no orçamento, empreiteiros me ligando sem parar… Tenho de continuar minha missão, doutora…”

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(*) Publicado no Estadão de 14.02.2012.