sábado, 17 de setembro de 2011

O Andarilho, o Alírio e a feira de Bom Conselho




Dia de feira para mim. Sempre vou à feira de Casa Amarela. É apenas um hábito que, como todos os hábitos duradouros, geralmente, deixam a boca torta. É um suplício para chegar lá. Não dirijo bem e vou me arrastando. Tudo por uma verdurinha e uma frutinha mais fresca do que nos supermercados.

Sei que é um ilusão. Os feirantes não tem mais suas fontes de produtos preservadas como tinha antigamente. Os supermercados tem mais poder de barganha e muitas vezes vendem mais barato e melhor. E nem os orgânicos uso ainda. Há poucos lugares que os ofertam no ponto de comê-los.

E por falar em feira, dias atrás no Facebook, a minha amiga Socorro Godoy publicou uma foto da feira de Bom Conselho, que eu comentei. Aliás, a Socorro, vem se revelando em Bom Conselho da mesma forma que sua irmã se revelou em Olinda. Atuante, interessada na coisa pública e por aí começa tudo. Voltando ao Facebook e à foto da feira, lá eu comentei:

“Um bela foto. Na minha época de moradora permanente, era quase tudo no centro, depois foi subindo pela Rua da Cadeia, depois sai... Depois não passei lá mais aos sábados (ou será que mudaram até o dia da feira, no governo do povo, desculpe Socorro pelo que lhe toca) mas ainda tenho saudades do doce de batata de umbu, que comprava ali perto da Igreja.”

A foto era tão boa e oportuna que a Eliúde também a comentou dizendo:

“Prezada Socorro, uma foto saudosa para o meu pouco tempo de vida em Bom Conselho. Lí os comentários e fiquei em dúvida se LP é Lucinha Peixoto. Pelo tempo que a conheço ela ainda não viu estes comentários do Alírio, chamando ela de pseudônima. Por menos do que isto ela já espinafrou meio mundo. Mas, deixa prá lá, eles que são carolas que se entendam. Um abraço e parabéns pela foto.”

Eu fiquei encafifada pois no meu Facebook eu não vejo o Alírio. Depois apareceram outras citações da Eliúde, o que me levavam a crer que o Alírio estava falando de mim por trás. Eu não entendo muito esta coisa de Facebook ainda, mas, parece que só recebemos mensagens dos amigos, ou dos que escrevem publicamente. Fiquei na moita, como se diz. Depois apareceu outro comentário de Eliúde que dizia:

“Prezado Alírio, conheço a Lucinha Peixoto, e se ela for homem, esconde muito bem as coisas debaixo da saia. Não concordo que ela seja confusa, penso que às vezes ela erra, mas o faz com convicção e determinação. Eu já pensava que era o O Andarilho, companheiro dela de carolice, que não batia bem da bola. Aquele sim, fazia um mal danado a Bom Conselho, tentando fazer a população de lá se comportar com manada divina. Nisto eu concordava com Lucinha, que é um pouquinho só menos carola, e diz que discute com o confessor, pois sabe que ele irá perdoá-lo. Já você pelo que li seu, também pratica suas carolices mas é mais ponderado. Mas, como eu disse, vocês que são carolas que se entendam com os padres. Um abraço.”

Eu deduzi que o Alírio estava me chamando de homem também, igual a Ana. No entanto, não quis dizer nada até encontrar com a Eliúde, pois agora não trabalhamos mais juntas. Ontem a encontrei, então ela me resumiu um pouco o seu diálogo com o Alírio. Fiquei chocada, pois estava por fora de tudo, ou quase tudo.

Eu não conheci o Alírio em Bom Conselho, pois parece que ele é mais novo do que eu (também não exagerem, pois da forma como ele defendia O Andarilho, a diferença deve ser pequena), e só me lembro que estávamos no mesmo lado, ou pelo menos não no lado da Dilma, nas eleições. Sempre gostei do que ele escrevia na campanha, mas, nunca gostei de suas outras opiniões mesmo sobre nossa religião comum, pelo seu tradicionalismo exacerbado. Igual ao O Andarilho ele ainda segue ao pé da letra o Concílio de Trento.

Mas, o pior que a Eliúde me contou é que ele ainda está acreditando na lengalenga que o Dr. Filhinho inventou (e que já provocou nele até surtos psicóticos de graves proporções) dizendo que eu não existia. Até tentar levar a Socorro Godoy a acreditar nessas bobagens ele tentou, como se a minha amiga não pensasse por ela mesma.

Que horror, meu Deus. Eu tenho endereço, tenho blog e tenho até RG e CPF (embora ao contrário de outros, minha credibilidade não dependa deles), e o homem usa as redes sociais para falar de mim por trás. Eu chego até a ter saudade do O Andarilho, que apesar de nossas discordâncias, não fazia dessas.

Agora vou embora para minha feira e não quero nem lembrar daquele risinho do Andarilho (rsrsrsrs), que eu termino me lembrando do Alírio.

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(*) Foto de Socorro Godoy.

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